sábado, 29 de novembro de 2014

Publicis reestrutura operação digital

A Publicis Worldwide, braço do grupo francês Publicis, está unindo suas empresas da área digital no Brasil em uma nova companhia, que vai operar no mercado publicitário e desenvolver sites, aplicativos e jogos on-line.

AG2, Digitas e Razorfish passarão a operar debaixo de uma única marca, a AG2.Nurun. Também foi incluída no bloco a Dialog, agência especializada em ações como eventos, promoções e outros projetos que não sejam os tradicionais anúncios em jornais, revistas e na TV. "O nome do jogo é integração, ter a habilidade de entregar serviços, plataformas e aplicações que atendam a experiência do consumidor de ponta a ponta", disse ao Valor o francês Arthur Sadoun, CEO da Publicis Worldwide.

A unificação dos negócios no Brasil acontece uma semana depois de a companhia anunciar a criação da Nurun, uma rede global de agências que concentrará os negócios de publicidade digital do grupo. Ao todo, são 4 mil profissionais divididos em 14 países. Entre os clientes atendidos estão Coca-Cola, P&G, Renault e a fabricante de carros elétricos Tesla Motors. No Brasil, a lista conta com Natura, Bradesco e Azul Linhas Aéreas, entre outras. Aqui, serão 300 profissionais atuando na nova agência.

César Paz, cofundador da AG2, comprada pela Publicis em 2009, vai comanda a nova empresa no Brasil. Em sua avaliação, mesmo com o cenário de baixo crescimento para o mercado publicitário, há muita oportunidade de crescimento na área digital. Segundo a Associação Brasileira de Agências Digitais (Abradi), a receita do setor foi de R$ 2,7 bilhões em 2013. A expectativa é de um crescimento de 22% em 2014.

Sadoun diz que o Brasil é o primeiro país onde a nova operação digital da Publicis Worldwide entra em operação. "É um país muito importante para o meu coração e também para a minha carteira", brincou o executivo. O país é a terceira maior operação da Publicis Worldwide, atrás da França e dos Estados Unidos.

O plano de criar uma agência que reunisse os ativos digitais da Publicis começou a ser elaborado no início de 2013 e teve sua concretização adiada várias vezes, disse Sadoun. Assim como tem acontecido com a maioria das agências de publicidade tradicionais, o grupo Publicis tem avançado nessa área por meio de aquisições.

A estimativa é que nos últimos anos tenham sido investidos US$ 7 bilhões na compra de agências digitais. O maior negócio até agora foi anunciado há poucas semanas: a compra da americana Sapient por US$ 3,7 bilhões. Com esta, metade da receita da Publicis passa a ser originada no mundo digital. A meta é chegar a 75% do total até 2018. A área digital é a principal aposta de crescimento da companhia depois de a fusão com a Omnicom ter sido cancelada em maio.

Há um ano no comando da rede de agências, o francês é um dos mais cotados para assumir o comando de todo o grupo Publicis com a aposentadoria do presidente do conselho, Maurice Levy, prevista para 2017. Perguntado, Sadoun não comenta o assunto.

Na opinião de Paulo Giovanni, presidente do conselho da Publicis Worldwide no Brasil, o que vai diferenciar a atuação da nova companhia em relação a concorrentes como F.biz (da WPP) e Isobar (Dentsu) é a capacidade de atuar também com eventos e ações promocionais no mundo real. Essa área, também conhecida como "below the line" (BTL), vem ganhando força nos últimos anos.

Valor 26/11/2014 - por Gustavo Brigatto | De São Paulo